Dons Espirituais

Ev. Jonas Mendes

Acerca dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes (1 Co 12:1)

“Acerca dos dons espirituais” (1 Co. 12.1), sabe-se que no texto grego, não aparece a expressão “Dons”, sendo assim, uma tradução possível seria: “acerca dos espirituais”. Mas, embora seja possível, talvez não seja a mais viável. A expressão “πνευματικóς” (pneumatikós), segundo Fritz Reinecker e Cleon Rogers, indica “aquilo que pertence ao espirito”, “pessoas espirituais”, ou até mesmo “dons, coisas espirituais” (1995, p. 316). O plural genitivo “πνευματικῶν” (pneumatikon), pode ser neutro ou masculino. Caso seja masculino, a discussão subsequente de Paulo se concentra naqueles que se consideram espirituais “os espirituais”. Caso seja neutro, então a discussão do apóstolo Paulo se concentra nas coisas que dizem respeito ao Espírito, como os dons (VANG, Peter. 2018, p. 161). Ao discorrer sobre a questão, Gordon D. Fee salienta que o adjetivo “πνευματικóς”, tradicionalmente traduzido por “espiritual”, refere-se à atividade/presença do Espírito Santo, e não ao que comumente chamamos de “espiritual”. Conseguintemente, a melhor tradução para o termo, segundo Fee, talvez seja, “as coisas do Espírito”, que seria basicamente “referência às manifestações do Espírito, da perspectiva da capacitação pelo Espírito; ao mesmo tempo, apontaria para aqueles que são assim capacitados” (2019, p. 719-728). Sendo assim, conclui-se que não há nenhum problema na tradução “Acerca dos dons espirituais”, pois é exatamente sobre isso que o apóstolo está tratando no contexto da carta.

PROPÓSITO DOS DONS

Os dons são capacidades espirituais concedidas por Deus a nós, com o propósito de edificar a igreja para a realização de sua missão evangelizadora no mundo. Os dons são muito mais uma responsabilidade do que um privilégio, pois eles não foram criados para serem utilizados como atrativos pessoais nem visando status, poder ou popularidade, mas para servir aos outros. Os dons espirituais são revelações concretas da atividade divina, e apenas secundariamente da atividade humana. Eles são a presença do próprio Espírito se expressando de maneira relativamente clara, e até dramática, na forma como exercemos o ministério. Os dons são a manifestação pública de Deus entre o seu povo (2016, p. 15). Evidentemente, os dons não tomam o lugar da bíblia, pois nada deve ser adicionado à revelação normativa do pacto que forma as Escrituras canônicas; isso implica que a Bíblia deve ser a primeira e primária fonte de onde os cristãos devem buscar informação e direção. Esse é o padrão que governa o relacionamento do homem com Deus dentro da aliança divina. Os dons de Deus não foram designados para substituir Bíblia de Deus (CODLING, Don. 2020, p. 202). Mas, por outro lado, rejeitar os dons, é, de certo modo, dar as costas a Deus. Os dons, “não são prêmios por serviços prestados, são, na verdade, concedidos gratuitamente, pela vontade soberana do Espírito, com o fim de fortalecer a igreja como organismo vivo” (2011, p. 36).

Quatro palavras gregas são usadas no Novo Testamento para se referir a dons espirituais.

a) Charisma (singular) charismata (plural) – a expressão “charisma” se refere a uma obra da graça de Deus ou algo que a graça de Deus nos concedeu, como a vida eterna (Rm 6.23); etc.

b) Pneumatikon– a expressão foi usada por Paulo em 1 Co 12.1 e já discutimos o seu significado no início.

c) Diakonia– enquanto charisma aponta para a origem dos dons espirituais, diakonia, muitas vezes traduzida como “ministério”, aponta para o seu propósito, que é servir a ajudar os outros, como 1 Pedro 4.10 nos mostra, “cada um administre (sirva) aos outros o dom como o recebeu”.

d) Energema(1 Co 12.6) – A NVI traduz “energema” como “atuação”, enquanto a ARA traduz como “realizações”, mas podemos encontrar também “operações”. A expressão retrata os dons como fruto ou produto do poder divino. Todos os dons espirituais entram em ação pelo poder do Espírito Santo no crente e por meio do crente.

Paulo escreveu que "Há diferentes formas de atuação (energematon), mas é o mesmo Deus quem efetua (ho energon] tudo em todos." Portanto, os dons são as operações concretas do poder divino por meio de crentes individualmente. Paulo faz questão mostrar que a fonte da multiplicidade de dons é um único e mesmo Espírito. Essa ênfase serve como um corretivo forte para qualquer forma de elitismo. Os dons vêm "pelo Espírito... pelo mesmo Espírito... pelo mesmo Espírito... por um único Espírito" (vs. 8,9). Na verdade, é o "mesmo e único Espírito" (v. 11) quem distribui os dons segundo a sua vontade. Se o Espírito Santo é soberano para conceder dons, Ele é também soberano para retê-los. Ao reunir as quatro expressões gregas, notamos que todos os dons espirituais (charismata) são atos de serviço ou ministério (diakonia), que são produzidos (energema) por meio de nós pelo Deus Triúno. Diante disso, podemos definir um dom espiritual como uma capacidade dada por Deus e, portanto, uma graça concedida para servir e ministrar ao Corpo de Cristo, pela comunicação do conhecimento, do poder e do amor de Jesus (2016, p. 22-3).

CLASSIFICAÇÃO DOS DONS ESPIRITUAIS

A Declaração de Fé das Assembleias de Deus destaca que “Os dons espirituais são vários, e nenhuma lista deles no Novo Testamento pretender ser exaustiva (...)” (2017, p. 172). Ou seja, as listas de dons apresentadas são mais exemplificativas do que exaustivas, sendo assim, toda classificação pauta-se em propósitos didáticos – o que seria nada mais do que uma tentativa humana de organizar os diversos dons em categorias com o objetivo de facilitar o nosso entendimento dos mesmos.

Os dons apresentados por Paulo, no verso citado, podem ser classificados da seguinte maneira, segundo Pearlman (2009, p. 320):

a) Aqueles que concedem poder para saber sobrenaturalmente: palavra de sabedoria, palavra de conhecimento e discernimento;

b) Aqueles que concedem poder para agir sobrenaturalmente: fé, milagres e curas;

c) Aqueles que concedem poder para falar sobrenaturalmente: profecia, línguas e interpretação.

Conforme observou Sam Storms, “os dons espirituais são nada menos do que o próprio Deus em nós, fortalecendo nossas almas, transmitindo revelação às nossas mentes, infundindo poder em nossas vontades e operando seus propósitos soberanos e cheios de graça por meio de nós” (2016, p. 14). Os dons também podem ser classificados como: Dons de revelação, dons de poder e dons de elocução/expressão, conforme utilizado por Severino Pedro (1996) e Elienai Cabral (2011). Os dons de revelação, diz Severino Pedro, expressam os pensamentos de Deus e também podem ser chamados de “dons de sabedoria”, ou de “inspiração”. Os dons de poder manifestam sua onipotência e grandeza, preenchendo o campo inteiro de nossa visão. Os dons de elocução/expressão comunicam os sentimentos do coração de Deus (1996, p. 112).

Dentre os dons de revelação encontra-se: palavra de sabedoria, palavra de conhecimento e discernimento de espíritos.

PALAVRA DE SABEDORIA

A palavra de sabedoria refere-se uma mensagem/elocução repleta de sabedoria ou uma “elocução caracterizada por sabedoria” (2019, p. 749), seria um “pronunciamento de sabedoria”, que segundo Craig Keener, talvez “represente a revelação dos mistérios divinos com base no discernimento dos propósitos de Deus” (2018, p. 127). Seria um enunciado mediante a operação do Espírito Santo com o propósito de resolver um conflito ou um problema específico. Não é uma sabedoria de ordem comum, então não se adquire através dos estudos, mas é uma concessão do Espírito Santo que capacita o crente a perceber de modo sobrenatural, levando-o a falar e agir em circunstâncias especiais, nas quais os elementos naturais tornam-se inúteis (2011, p. 46). Sendo assim, palavra de sabedoria pode se referir a um conhecimento prático das coisas divinas e dos homens, unido ao poder de exposição concernente a eles, bem como de interpretação e aplicação da palavra Sagrada (2009, p. 320).

PALAVRA DE CONHECIMENTO

Gordon Fee entende que esse dom “seja uma ‘elocução dada pelo Espírito Santo’ de algum tipo revelatório” (2019, p. 750). Ou seja, seria “na verdade, um modo sobrenatural de revelar coisas da mente de Deus, desconhecidas do homem natural, que acontece pela operação do Espírito Santo” (2011, p. 48). Seria a concessão do conhecimento de fatos ou eventos que não seria obtido de forma natural, exceto por um ato revelador do Espírito, e que de algum modo serve à comunidade de crentes (p. 1012). Craig Keener destaca que a “palavra de conhecimento” significa transmitir conhecimento a respeito de Deus e está relacionado ao dom de ensino (2018, p. 128). Stanley Horton concorda, e diz que a palavra de conhecimento vem como uma declaração da verdade do Evangelho ou como aplicação dela. “É um dom que traz iluminação sobrenatural do evangelho, especialmente no ministério de ensino e pregação” (1993, p. 296).

DOM DA FÉ

Não deve ser confundida com a “fé salvifica” ou a “fé como fruto do Espírito”. O dom da fé trata-se de uma fé sobrenatural especial, comunicada pelo Espírito Santo, com o intuito de capacitar o crente a crer em Deus para a realização de coisas extraordinárias ou milagrosas. É uma fé “do tipo que move montanhas” (2018, p. 129). É, segundo Gordon Chown, “o equipamento espiritual e sobrenatural do crente, para lhe conceder o poder sobrenatural de confiar em Deus nas ocasiões na quais só um milagre glorioso poderia alterar a situação". Significa confiar quando não há a mínima esperança de uma solução humana; "é um convite à intervenção divina" (2011, p. 51). A pessoa que recebe o dom da fé tem uma convicção divinamente dada de que Deus revelará seu poder em casos específicos; é uma certeza que projeta o sobrenatural no mundo natural (p. 1013).

DONS DE CURAR

A expressão grega “charismata iamaton” está no plural e se traduz literalmente como “dons de curas”, indicando que o Espírito Santo concede esses dons à igreja com a finalidade de curar pessoas. A expressão se encontra no plural, pois “o Espírito Santo habilita os que recebem os dons de curar a atuarem na cura sobrenatural de várias enfermidades”. A pessoa “dotada com dons de curas tem a graça do Espírito para orar pela cura de tipos distintos de enfermidades em todo o tempo em que a igreja estiver na terra”. (2011, p. 52). Não se deve entender que quem é usado pelo Espírito nesse dom, tenha o poder de curar todos, pois Deus é Soberano e todos os dons passam pela Vontade Soberana dEle (2009, p. 322). Segundo Gordon Fee, o uso da própria palavra “charisma” sugere que a "manifestação" não é dada à pessoa que é curada, mas à pessoa que Deus usa para a cura de outra. O oral “charismata” provavelmente sugere que não é um "dom" permanente, por assim dizer, mas que cada ocorrência é por si só um "dom" (2019, p. 751-2). O mesmo também se aplica aos plurais de “Operações de maravilhas”.

OPERAÇÕES DE MARAVILHAS

A expressão “operação de maravilhas ou milagres” se encontra no plural e abrange muitas atividades. O mais provável, diz Gordon Fee, é que “essa manifestação abranja todos os outros tipos de atividades sobrenaturais que não a cura dos enfermos. A palavra traduzida por “milagres” é a usualmente utilizada para “poder” (...) e na cultura judaica ela era especialmente associada ao Espírito de Deus” (2019, p. 752). A expressão "milagre" (dynamis) é, em geral, um termo abrangente usado para obras maravilhosas de todos os tipos. A expulsão de demônios em particular poderia ser uma função deste dom (At 16.18; 19.12) e estava entre as "maravilhas extraordinárias" que Deus realizou através de Paulo (19.11). Bittlinger sugere que isto podia incluir a ressurreição dos mortos (9.36-42;20.7-12) e os milagres da natureza (28.3,4), como também "sinais e prodígios" (p. 1013).

PROFECIA

Profecia é uma expressão verbal, espontânea, inteligível que normalmente ocorre na assembleia dos crentes (2006, p. 1013). Profecia não pode ser reduzida a pregação, como alguns fazem. Craig S. Keener mostra isso, ao dizer que “no sentido bíblico, a profecia comumente depende de inspiração momentânea tanto quanto o dom de línguas. Não é apenas “pregação”, pois no tempo de Paulo os “sermões” abrangiam principalmente ensino e exortação (...)” (2018, p. 116). Severino Pedro destaca três aspectos da profecia, sua origem, valor e finalidade (1996, p. 112). Veremos brevemente os três aspectos.

Ao tratar da profecia o apóstolo Paulo diz: “E falem dois ou três profetas, e os outros julguem. Mas, se a outro, que estiver assentado, for revelada alguma coisa, cale-se o primeiro. (1 Co 14:29,30). Isso mostra que a origem da verdadeira profecia é divina, pois é “revelada”. Wayne Grudem destaca que:

a) A revelação vem espontaneamente, pois acontecia enquanto o primeiro profeta ainda falava. Não se trata de um estudo ou um sermão previamente preparado, mas antes, algo inspirado pelo Espírito Santo de Deus.

b) A revelação vem a um indivíduo específico, a alguém que está sentado, e não à congregação inteira.

c) A revelação (apokalypsis) é de Deus, tem origem divina e não humana, pois sempre que a palavra “revelação” é usada no Novo Testamento, ela se refere a atividade de Deus, de Cristo, ou do Espírito Santo (2020, p. 93-94).

Fica evidente que para Paulo a origem da profecia é divina. E que todos podem ser usados, mas cada um por sua vez, respeitando o princípio da ordem no culto. Paulo diz ainda que “os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas” (1 Co 14:32). Segundo Gordon Fee, a expressão “espírito dos profetas”, significa “o Espirito profético” pelo qual cada um deles fala por meio do seu espírito. A ideia central de Paulo é que as falas estão sujeitas a quem fala no que diz respeito ao momento em que isso acontece. O conteúdo é entendido como o produto do Espírito divino que inspira tais falas (2019, p. 880). Sendo assim, o profeta escolhe quando e como transmitir a mensagem que recebeu, mas não é a fonte da mensagem, ela procede de Deus.

· O VALOR DA PROFECIA

A profecia é extremamente importante, pois foi umas formas escolhidas por Deus para se revelar a nós, e também para falar conosco. Paulo orientou a igreja de Tessalônica a não “extinguir o Espírito”, a “não desprezar as profecias”, e a “examinar tudo” e “reter o bem” (1 Ts 5:19-21). Sam Storms diz que a atividade do Espírito de transmitir visão reveladora da vontade de Deus é comparada por Paulo a um fogo que não devemos apagar com a água do ceticismo, da religiosidade ou do medo. Mas, em vez de apagar o Espírito Santo ou desprezar as profecias, devemos examinar tudo (2016, p. 129). Paulo disse: “procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar” (1 Co 14:1), mostrando que a profecia tem um grande valor para as comunidades cristãs.

· A FINALIDADE DA PROFECIA

Paulo destaca que a profecia tem algumas finalidades: edificar, exortar e consolar (1 Co 14:3). A profecia é maior que o dom de línguas, quando não há interpretação, porque “o que profetiza edifica a igreja” (1 Co 14:4), e o que fala em línguas sem interpretação, edifica a si próprio. Exatamente por isso, o dom de profecia é superior. “E eu quero que todos vós faleis em línguas”, diz Paulo, “mas muito mais que profetizeis; porque o que profetiza é maior do que o que fala em línguas, a não ser que também interprete para que a igreja receba edificação” (1 Co 14:5).

· A FINALIDADE DA PROFECIA

Paulo afirma que “o que profetiza fala aos homens, para edificação, exortação e consolação” (1 Co 14:3), destacando que a profecia tem algumas finalidades: edificar, exortar e consolar. O que profetiza promove a edificação coletiva, enquanto o que fala em línguas sem interprete, promove somente a edificação do que fala, exatamente por isso o dom de profecia é superior.

DISCERNIMENTO DE ESPÍRITOS

“Discenir” significa “ver claramente” ou “julgar através” (2011, p. 46). Segundo Horton, “discernimento de espíritos”, trata-se de uma “percepção que é dada de modo sobrenatural, para diferenciar entre os espíritos, bons e maus, genuínos ou falsos, a fim de chegarmos a uma conclusão” (1993, p. 300-1). Ao que tudo indica, trata-se um dom dado pelo Espírito Santo para o julgamento e avaliação de profecias, com o intuito de discernir se provem do Espirito ou não. Seria, segundo Keener, a capacidade dada pelo Espírito de discernir as profecias (218, p. 134).

LÍNGUAS

· DOM DE LÍNGUAS

“E a outro a variedade de línguas” (1 Co 12.10).

A "variedade de línguas" refere-se ao dom de falar em línguas desconhecidas e nunca dantes aprendidas pelos locutores, e é frequentemente chamada de “glossolália” (2016, p. 1014). Donald Gee faz uma distinção entre línguas como “sinal inicial” do batismo com o Espírito Santo, e como “dom” (1 Co 12.30). Na distinção de Gee, todo mundo que é batizado com o Espírito, fala em outras línguas como um sinal, uma evidência inicial, mas isso não significa que a pessoa tenha recebido o dom de variedade de línguas (2015, p. 25). Na mesma toada, Myer Pearlman (2009, p. 325) salienta que há uma distinção “entre as línguas como sinal e línguas como dom. A primeira é para todos (At 2.4); a outra não é para todos (1 Co 12.30). Contudo, R. L. Brandt, segue um caminho um pouco diferente na forma de classificar. Ele entende que há apenas um “Dom de línguas”, que engloba todo o falar em línguas, que inclui cinco aspectos diferentes:

1) Línguas faladas no batismo com o Espirito Santo, que seria a evidência inicial;

2) Línguas para a edificação pessoal, que é quando não há interprete;

3) Línguas para a edificação do corpo, quando há interprete;

4) Línguas para oração (que podem estar incluídas no item 2, mas que exercem uma função além da edificação pessoal;

5) Línguas como um sinal (2011, p. 22).

Vamos olhar de forma mais atenta para essas distinções, mas antes de vermos a posição de Paulo sobre o dom de línguas, é bom termos em mente alguns aspectos da posição de Lucas sobre o assunto.

· LÍNGUAS EM ATOS

Em Atos “o falar em línguas é como um tipo especial de discurso profético” (2019, p. 41). Lucas mostra que a igreja é “a comunidade de profetas dos últimos dias”, que foi batizada e empoderada pelo Espírito (2018, 115-142). A delegação do Espirito Santo de Jesus aos discípulos no dia de Pentecostes espelha a antiga delegação do Espírito Santo de Moisés aos anciãos (At 2.15S; Nm 11.25). Além disso, do mesmo modo que a profecia é o sinal por excelência da delegação do Espírito no Antigo Testamento, no dia de Pentecostes, falar em línguas e profetizar (At 2.4,17) (2020, 222). Em Atos as línguas são apresentadas como evidência inicial do batismo no Espírito Santo, pois dos quatro relatos da descida do Espírito, três explicitamente citam a glossolalia como seu resultado imediato (At 2.4; 10.44-46; 19.6). E o outro insinua isso fortemente (At 8.14-19). Elas representam “falas proféticas emitidas pelos mensageiros de Deus dos tempos do fim”. Na visão de Lucas, todo membro da igreja é chamado (Lc 24.45-49; At 1.4-8/ Is 49.6) e recebe poder (At 2.17-21; cf. 4.31) para profetizar (2019, p. 42-59), ou seja, todo crente pode manifestar esse dom espiritual. Lucas apresenta o falar em línguas (glossolalia) como um sinal poderoso e edificante: um sinal que nos lembra de nosso chamado como profetas do tempo do fim e que testemunha a majestade e o status glorificado de Jesus (2019, p. 146).

· LÍNGUAS EM PAULO

Paulo, diferentemente de Lucas, está tratando de um problema específico na igreja de Corínto. Ao que tudo indica, alguns dos coríntios parecem ter visto as línguas como uma expressão de um nível superior de espiritualidade. Assim, valorizavam as línguas acima de outros dons e, no contexto das reuniões institucionais, seu elitismo espiritual frequentemente encontrava expressão em explosões ininteligíveis que interrompiam as reuniões e não edificavam a igreja (2019, p. 147). Paulo mostra que as línguas são importantes, pois o próprio Paulo falava em línguas mais do que todos (1 Co 14.18), e até mesmo desejava que todos falassem em línguas (1 Co 14.5). Mas, no contexto do culto público, onde o objetivo é a edificação do corpo, ele diz: “Todavia eu antes quero falar na igreja cinco palavras na minha própria inteligência, para que possa também instruir os outros, do que dez mil palavras em língua desconhecida” (1 Co 14:18,19). Paulo mostra que “no culto, nem todos são chamados para fazer uma verbalização pública em línguas” (2011, p. 81), quando diz: “Falam todos diversas línguas?” (1 Co 12.30). Ele não está proibindo o uso das línguas, pois ele mesmo disse: “eu quero que todos vós faleis em línguas” (1 Co 14:5). E “não proibais falar línguas” (1 Co 14:39), e até disse que no culto, “tem língua, tem interpretação” (1 Co 14.26). Paulo não estava restringindo todo o uso das línguas, mas o uso das línguas no culto público sem interpretação, pois não edificam a igreja. Paulo está tratando do exercício dos dons na assembleia. Quando nos reunimos, nem todos contribuem para o corpo do mesmo modo, nem todos falam em línguas ou as interpretam no ambiente coletivo (2020, p. 193). Paulo não está falando sobre o papel do dom de línguas no geral, mas apenas do seu uso sem interpretação na assembleia pública (2016, p. 159). Fica evidente que as línguas, assim como a profecia, estão disponíveis a todos da comunidade dos crentes, todos podem falar em línguas no ambiente privado, e até devem buscar isso, mas nem todos “são chamados para fazer uma verbalização pública em línguas” (2011, p. 81).

· LÍNGUAS COMO EVIDÊNCIA INICIAL

Encontramos nas escrituras cinco textos que podem ser usados para fundamentar o ensino das línguas como evidência inicial, em três deles está bem claro que eles foram batizados com o Espírito Santo e falaram em outras línguas. O primeiro é Atos 2.4, “E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem”. O segundo texto é Atos 10.44-46: “E, dizendo Pedro ainda estas palavras, caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra. (...) e todos quantos tinham vindo com Pedro, maravilharam-se de que o dom do Espírito Santo se derramasse também sobre os gentios. Porque os ouviam falar línguas, e magnificar a Deus”. O terceiro texto está em Atos 19.6, onde se diz: “E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas, e profetizavam”. Nos três textos citados, as línguas se apresentam como evidência inicial. Os outros dois textos, que são Atos 8, a missão em Samaria, e Atos 9, o batismo de Paulo, não há menção explícita da manifestação de línguas, mas podemos depreender pelo contexto que de fato elas aconteceram. O texto diz: “Então lhes impuseram as mãos, e receberam o Espírito Santo. E Simão, vendo que pela imposição das mãos dos apóstolos era dado o Espírito Santo, lhes ofereceu dinheiro, (At 8:17,18). É evidente que Simão, o viu algo acontecer com os cristãos de Samaria quando receberam o Espírito. Anthony D. Palma diz que houve algum sinal externo que chamou a atenção de Simão, seguindo um padrão encontrado em Atos 2, 10 e 19, podemos entender que foi o falar em outras línguas (2011, p. 73). O mesmo princípio se aplica ao batismo de Paulo em Atos 9. Anthony D. Palma diz que Ananias, ao impor as mãos sobre Paulo, tinha como propósito que ele fosse “cheio do Espírito Santo” (At 9.17). É certo que Lucas não registra nenhum detalhe no batismo de Paulo, mas o próprio Paulo diz em 1 Coríntios 14.18, “Dou graças ao meu Deus, porque falo mais línguas do que vós todos”, quando Paulo começou a falar em línguas? No livro de Atos, a experiência de falar em línguas, quando é registrada, acontece primeiro no momento do batismo no Espírito. Portanto, parece perfeitamente legítimo e lógico para os pentecostais acreditar que Paulo primeiro falou em línguas no momento em que Ananias impôs as mãos sobre ele (2011, p. 75). Sendo assim, não há nenhum motivo para não aceitarmos as línguas como evidência inicial, pois, como vimos, ela é bem evidenciada em Atos.

· LÍNGUAS PARA EDIFICAÇÃO PESSOAL

Segundo o apóstolo Paulo, as línguas também podem ser usadas para a edificação pessoal, “o que fala em língua desconhecida edifica-se a si mesmo” (1 Co 14:4). Fica evidente, que a edificação pessoal em si, não é algo ruim, muito pelo contrário, é algo que devemos buscar, mas, como Paulo mostra, no contexto do culto público, as línguas devem estar voltadas para a edificação da coletividade, e não a pessoal, Paulo deixa isso claro ao dizer: “Assim também vós, como desejais dons espirituais, procurai abundar neles, para edificação da igreja” (1 Co 14:12). O apóstolo deixa claro que também fala em línguas, e fala, como ele mesmo diz: “mais línguas do que vós todos”, mas, no contexto do culto público, onde o objetivo é a edificação do corpo, ele diz: “Todavia eu antes quero falar na igreja cinco palavras na minha própria inteligência, para que possa também instruir os outros, do que dez mil palavras em língua desconhecida” (1 Co 14:18,19). Paulo afirma inclusive, que “se alguém falar em língua desconhecida, faça-se isso por dois, ou quando muito três, e por sua vez, e haja intérprete. Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja, e fale consigo mesmo, e com Deus” (1 Co 14:27,28). Sobre a relação entre ás línguas e o ambiente particular e coletivo, William e Robert Menzies (2020, p. 200-201) traçam uma distinção elucidativa:

· Quem fala em uma língua não fala aos homens, mas a Deus (ambiente particular).

· Mas quem profetiza o faz para edificação, encorajamento e consolação dos homens (ambiente coletivo);

· Quem fala em língua a si mesmo se edifica (ambiente particular);

· Mas quem profetiza edifica a igreja (ambiente coletivo);

· Gostaria que todos falassem em línguas (ambiente particular);

· Mas prefiro que profetizem (ambiente coletivo).

Como vimos, Paulo não proibiu o falar em línguas no culto público, mas alertou, se não houver intérprete, fale consigo mesmo, e com Deus, pois fazendo assim, você estará sendo edificado e não causará desordem no culto.

· LÍNGUAS PARA A EDIFICAÇÃO DO CORPO

Em 1 Coríntios 12.30 o apóstolo lança uma pergunta retórica: “falam todos diversas línguas?” E a resposta esperada pelo apóstolo é: “Não”. Nesse contexto, Paulo está tratando do uso das línguas no culto público, e mostra que “na assembleia dos crentes, nem todos são chamados para fazer uma verbalização pública em línguas” (PALMA, Anthony D. 2011, p. 81). Paulo não está proibindo o uso das línguas, pelo contrário, ele mesmo disse: “eu quero que todos vós faleis em línguas” (1 Co 14:5), mas no âmbito particular. Ele também disse “não proibais falar línguas” (1 Co 14:39), e até disse que no culto, “cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação” (1 Co 14.26). Então, percebe-se que a questão não é a proibição das línguas, mas o uso das línguas no culto público sem interpretação, pois não edificam a igreja. William e Robert Menzies destacam que Paulo aqui, está obviamente tratando do exercício dos dons na assembleia. Em outras palavras, quando Paulo pergunta: “Falam todos em línguas? ” Ele não está perguntando: “Podem todos falar em línguas (do ambiente particular ou coletivo) ”? Na verdade, a pergunta é feita com relação ao que precede no capítulo 12: Quando nos reunimos, nem todos contribuem para o corpo do mesmo modo, nem todos falam em línguas ou as interpretam no ambiente coletivo, não é? (2020, p. 193). Seguindo a mesma linha de raciocínio, Sam Storms diz que Paulo não está falando sobre o papel do dom de línguas no geral, mas apenas do seu uso sem interpretação na assembleia pública. Então, não permita o falar em línguas não interpretadas na igreja, pois, ao fazê-lo, você corre o risco de comunicar um sinal negativo às pessoas que só as afastará (2016, p. 159). Concluindo, fica evidente que as línguas, assim como a profecia, são acessíveis a todos da comunidade dos crentes, mas que nem todos “são chamados para fazer uma verbalização pública em línguas” (2011, p. 81).

· LÍNGUAS COMO SINAL PARA OS INCRÉDULOS

O grande problema em Corínto é que muitas pessoas estavam falando simultaneamente em línguas não interpretadas no culto, causando confusão e desordem. (2016, p. 157). Paulo mostra, usando Isaías 25.11, que as línguas são um sinal (negativo) para os incrédulos, pois uma fala incompreensível não guiará, instruirá ou levará à fé e ao arrependimento, mas só confundirá e destruirá. Imagine um descrente chegando nesse ambiente, sem entender nada do que está acontecendo, todos falando línguas estranhas e sem nenhuma interpretação, o que será que ele iria pensar? Paulo responde: “não dirão porventura que estais loucos”? (1 Co 14:23). Uma vez que o que é falado em línguas é ininteligível, os descrentes não recebem nenhuma revelação da parte de Deus: desse modo, não podem ser trazidos à fé. Assim, os descrentes, por terem a reação de entender a obra do Espírito como loucura, estão destinados ao juízo divino - exatamente como na palavra de Isaías (28.11). É claro que esse não é o propósito divino para essas pessoas; por esse motivo, Paulo sente a urgência de que os coríntios deixem de pensar como crianças e dessa forma, interrompam o uso de línguas em público, uma vez que ele serve para afastar o descrente em vez de conduzir alguém à fé. Em antítese, "a profecia, porém", também funciona como sinal, mas "não para os descrentes, mas para os crentes". Em oposição à preferência deles por línguas, Paulo afirma que é a profecia, com sua inteligibilidade e caráter revelador, que funciona como sinal da aprovação de Deus e da presença dele no meio deles. A prova disso há de ser encontrada na própria maneira em que afeta os descrentes. Mediante a palavra reveladora da profecia, eles são convencidos de seus pecados e, prostrando-se, exclamarão "Deus realmente está entre nós”. Essa exclamação como resposta à profecia é um "sinal" para os crentes a indicação de que o favor de Deus está sobre eles. Assim, línguas e profecia funcionam como "sinais" de duas maneiras diferentes, exatamente de acordo com o efeito que cada um terá sobre os ouvintes (FEE, Gordon. 2019, p. 863-4).

ORAÇÃO EM LÍNGUAS

“Porque, se eu orar em língua desconhecida, o meu espírito ora bem (...)” (1 Co 14:14).

A oração em línguas é, como o pastor Elienai Cabral bem observa, uma graça especial ao crente manifestada através do Espírito Santo, que ensina o nosso espírito interior a orar a Deus, independentemente do intelecto. “Não é o Espirito Santo que ora. É o espirito do crente que ora impelido pelo Espírito Santo e fala em mistérios com Deus” (2011, p. 26). Segundo a bíblia Pentecostal, Paulo refere-se à sua própria experiência, quanto ao falar em línguas dirigidas a Deus. “Oro com o espírito", significa orar em línguas sob o impulso do Espírito Santo. O espírito do crente ora à medida que o Espírito Santo o capacita a falar (cf. 12.7,11; At 2.4). Paulo fala aqui do uso pessoal de línguas dirigidas a Deus. Paulo usava as línguas, não somente para orar, mas também para cantar, para louvar e para dar graças a Deus (vv. 14-16). "Orar com o entendimento" significa orar e louvar a Deus através da nossa própria mente, numa língua aprendida, mas também sob o impulso do Espírito.

“(...) mas o meu entendimento fica sem fruto” (1 Co 14:14).

Embora Paulo reconhece-se o valor da oração em línguas, ele também destacou que enquanto orava em línguas o seu espírito era edificado, mas o entendimento ficava sem fruto. Se Paulo sabia que sua mente ficava infrutífera quando ele orava em línguas, então não seria melhor repudiar totalmente o seu uso? Até porque, que benefício pode haver em uma experiência espiritual que a mente não consegue compreender? No mínimo, seria de se esperar que Paulo dissesse alguma coisa para diminuir sua importância, de modo a torná-la banal, pelo menos em comparação com os outros dons. Mas ele não fez nada desse tipo. Observe atentamente a conclusão de Paulo. Ele chegou a apresentar a sua conclusão ao perguntar, em vista do que acabara de ser dito no versículo 14: "Então, que farei?" Paulo responde: "Orarei com o espírito [ou seja, orarei em línguas], mas também orarei com o entendimento", ou seja, as duas coisas. Paulo não abriu mão da experiência de orar em línguas, mas buscou o equilíbrio para que o entendimento não ficasse sem fruto. “Claramente, Paulo acreditava que uma experiência espiritual além do alcance da sua mente ainda era profundamente proveitosa. Paulo acreditava não ser absolutamente necessário uma experiência ser racionalmente cognitiva para ser espiritualmente benéfica e glorificar a Deus” (2016, p. 154).

3 - INTERPRETAÇÃO DE LÍNGUAS

A interpretação de línguas se faz necessário, pois o objetivo da reunião não é apenas louvar e orar, mas também instruir, encorajar e edificar os membros do Corpo. Portanto, tudo que acontece precisa ser inteligível. É por isso que Paulo insiste na interpretação de línguas, para que todos possam compreender e todos sejam edificados (2016, p. 156). Paulo foi muito enfático ao dizer que “se não houver intérprete, esteja calado na igreja, e fale consigo mesmo, e com Deus” (1 Co 14:28). Paulo entende que as línguas faladas estão para além de uma linguagem humana, compreensível por alguém que domina vários idiomas, pois quem fala em línguas não fala aos homens, mas a Deus (1 Co 14.2). Sobre a interpretação de línguas, Robert Menzies diz que “Paulo não considera a possibilidade de alguém com um conhecimento adquirido da língua falada estar presente e ser capaz de interpretá-la. Pelo contrário, ele insiste que só se pode interpretar essas línguas se alguém tem um dom especial do Espírito para fazê-lo” (2019, p. 167). Sendo assim, entende-se que a interpretação de línguas é uma capacitação divina, para que nós possamos entender, de maneira sobrenatural, aquilo que está sendo dito através das línguas. É um dom muito importante para o culto, pois sem as línguas ficam restritas ao ambiente privado.

Concluindo, Paulo mostra que as línguas são importantes, e ajudam na edificação pessoal. Ele não permite a proibição das línguas, e deseja que todos falem em línguas, mas também, deseja que no culto público haja interpretação para que todos sejam edificados. Paulo mostra que o “dom de línguas” está disponível a todos, assim como Lucas, mas diferentemente de Lucas, não aborda a questão da evidência inicial, pois não era o seu propósito. Paulo não só valorizava o falar em línguas, como ele também “orava em línguas”.

BIBLIOGRAFIA

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CODLING, Don. Sola scriptura e os dons de revelação: como lidar com a atual manifestação de profecias? Natal, RN: Carisma, 2020.

FEE, Gordon D. 1Coríntios: comentário exegético. Tradução de Marcio Loureiro Redondo. – São Paulo: Vida Nova, 2019.

HORTON, Stanley. O que a bíblia diz sobre o Espírito Santo. Rio de janeiro: CPAD, 1993.

KEENER, Craig S. O Espírito na igreja: o que a bíblia fala sobre os dons. Tradução de Susana Klassen. – São Paulo: Vida Nova, 2018.

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MENZIES, William. No poder do Espírito: fundamentos da teologia pentecostal. Tradução de Eduardo Silveira. – Natal, RN: Editora Carisma, 2020.

PALMA, Anthony D. O batismo no Espírito Santo e com fogo: os fundamentos bíblicos e a atualidade da doutrina pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2011.

PEARLMAN, Myer. Conhecendo as doutrinas da bíblia. Tradução de Lawrence Olson. 3. Ed. – São Paulo: Editora Vida, 2009.

SILVA, Severino Pedro. A existência e a pessoa do Espírito Santo.1. Ed. – Rio de janeiro: CPAD, 1996.

STORMS, Sam. Dons espirituais: uma introdução bíblica, teológica e pastoral. Traduzido por Claudio Chagas. – São Paulo: Vida Nova, 2016.

STRONSTAD, Roger. Teologia lucana sob análise: experiências e modelos paradigmáticos em Lucas-Atos. Tradução de Celso Roberto. – Natal, RN: Carisma, 2018.

VANG, Preben. 1Coríntios. Tradução de Susana Klassen. – São Paulo: Vida Nova, 2018.

[1] Jonas J. Mendes. Ministro do Evangelho, membro do Conselho de Educação e Cultura das Assembleias de Deus de Cuiabá e Região. Graduado em Teologia, com pós-graduado em Teologia do Novo Testamento. Licenciado em Filosofia e Pedagogia com Mestrado em Filosofia pela UFMT. Professor de Teologia na Faculdade FEICS e de Filosofia na Faculdade FASIPE. Autor do livro: “Livre-arbítrio e soberania divina”, e coautor do livro: “Hermenêutica: uma introdução à interpretação bíblica”.

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